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O Ano 2017 – Erros e Acertos de Antevisao

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Neste artigo, propomo-nos a um exercício pouco habitual em Astrologia – que é fazer uma análise das perspetivas que traçámos para o ano 2017, identificando os argumentos que revelaram uma melhor e pior aderência à realidade dos factos, agora que o ano terminou.

O propósito é criar um precedente para futuros exercícios de antevisão anual, motivar práticas semelhantes na comunidade astrológica e, sobretudo, aperfeiçoar as técnicas de análise mundial, com a verificação dos desvios e acertos de perspetiva.

É natural que os astrólogos se lancem na elaboração de perspetivas do novo ano, sem contudo fazerem uma avaliação mínima sobre a correção da visão que traçaram no ano anterior.

Com isto, há erros que se repetem e a comunidade é desacreditada, porque esses cenários não são verificados, escrutinados de algum modo ou as abordagens corrigidas.

Eu penso que por uma questão didática e de investigação é essencial fazer essa averiguação, mesmo que seja apenas a nível interno e não divulgada oficialmente.

Mas sobretudo por uma questão de transparência, já que muitas vezes o astrólogo se coloca numa posição de opacidade ou de pretensão superior que não o beneficia, nem à sua classe. A Astrologia deve ser considerada como uma disciplina social com, pelo menos, tanto respeito quanto as outras disciplinas, merecendo ser estudada.

 

DIFERENÇA ENTRE ANTEVISÕES E PREVISÕES

Antes de avançar, interessa primeiro fazer uma distinção entre palpites, contextos, antevisões e previsões.

Por palpite considero a declaração de uma expectativa, sem ter qualquer justificação astrológica por detrás. Podemos chamar também intuição ou pressentimento e que até pode verificar-se como correta. Contudo, são opiniões que descarto deste exercício, não fazendo parte das minhas perspetivas oficiais/ públicas, apenas em privado.

Um contexto é explicar, por exemplo, que em anos de trânsitos X houve ocorrências Y. Neste caso, estamos apenas a constatar tendências do passado mais ainda não estamos a afirmar algo sobre o futuro. São apenas dados que podem ajudar ou não a formular determinada expectativa.

Quando essa tendência é realmente afirmada como possível no futuro, embora sem certeza explícita, podemos chamar a esta afirmação de antevisão e não previsão/ predição – seja porque o astrólogo não está muito seguro da sua técnica ou por considerar que há um livre arbítrio e incerteza incontornável associados ao tema.

Nesses casos, o astrólogo utiliza a expressão “pode acontecer isto” em vez de “vai acontecer”. Na prática, ele acredita que essa probabilidade é, no mínimo, de 60% mas não superior a 90 %. Ou seja,  acredita que é mais provável que aconteça assim do que não aconteça, mas considera bastante viável a hipótese contrária na mesma.

Por previsão astrológica entendo uma afirmação de certeza, praticamente absoluta, de um determinado acontecimento dentro de uma janela de tempo. A “certeza praticamente absoluta” significa que o astrólogo acredita com uma margem de segurança de 90 a 95 % que esse evento vai ocorrer, de acordo com as suas técnicas e experiência.

Nesse caso, o astrólogo utiliza um verbo mais explícito “vai acontecer isto” por contraste com “pode acontecer isto”. No limite pode usar a expressão “vai acontecer isto com elevadíssima probabilidade.”

Em linguagem estatística, usaríamos o termo “intervalo de confiança” considerável.

No meu caso pessoal, raramente faço previsões em termos mundiais e sociais mas gosto muito de fazer estudos de tendências (os contextos) e, baseando nas mesmas, as antevisões. E por isso uso muito mais a expressão “pode acontecer” do que “vai acontecer”. Em grande medida, porque não tenho assim tanta experiência na perspetiva de assuntos mundiais com técnicas suficientemente fiáveis para um diagnóstico com mais de 90 % de probabilidade.

Mesmo que a tivesse, acho que o astrólogo não deve usar uma linguagem determinista, caso acredite que há uma margem significativa de livre arbítrio na vida.

Assim, o facto de fazer esta análise não implica que acredite num mundo-relógio com predeterminação absoluta dos factos, mas numa sociedade criativa em que há tendências que podem ser identificadas com antecedência.

O objetivo maior é compreender a aprendizagem social em curso, a cada ano, e perceber até que ponto poderemos coletivamente ter outra consciência e potenciá-la ainda mais, pela positiva.

Obviamente, há tendências que nunca poderão ser verificadas com alguma objetividade, como dizer que “os Carneiros vão sentir-se mais responsáveis este ano” – a não ser que haja uma base de dados muito consistente e inquéritos qualitativos – por isso, deixo de fora esse tipo de afirmações para análise.

 

TENDÊNCIAS APONTADAS PARA 2017

Estas tendências foram divulgadas em webinário, em palestra ao vivo e em artigo. Como não há registo gravado da palestra ao vivo (exceto o testemunho e memória dos participantes), vou considerar essa interpretação como fora de avaliação (sendo, porém, muito igual à do webinário).

Em rigor, as tendências estender-se-iam até 20 de Março de 2018 – quando finda o ano astrológico – mas vamos considerar o ano civil, para análise.

Link para o artigo: AQUI

Link para o webinário (mais desenvolvido): AQUI – ( contextos até ao minuto 30 e 36 segundos e antevisões a partir daí).

Principais Desvios/ Incorreções:

Antevisão A: Haver uma tendência geral de crises e mudanças governativas no mundo (provocados provavelmente por questões de justiça, dívida, desemprego e emigração).

Argumento: ingresso do Sol em Carneiro de 2017, bastante tenso.

Crítica: Efetivamente houve mudanças governativas em França, Angola, Zimbabué, Alemanha, por exemplo – mas não motivadas por crise nem além da normalidade. A tendência nefasta deste ingresso, no plano mundial, manifestou-se antes noutro domínio: alterações climáticas, furacões e incêndios, acima do normal. Por isso, a interpretação deste ingresso pode-se considerar genericamente errada, por não ter identificado corretamente o foco da tensão (e mesmo que o ano zodiacal ainda não tenha acabado e mais mudanças possam ocorrer)

Antevisão B: Expansão da indústria da aviação, em particular, a low cost

Argumento: tendência dos trânsitos de Saturno em Sagitário

Crítica: algumas low-cost faliram (como a Monarch) e outras tiveram que rever e cancelar vôos (Ryan Air) pelo que não se pode considerar esta antevisão como correta. Ainda que, em geral, a indústria da aviação esteja em crescimento.

Antevisão C: Indicação de crise do governo de Costa a partir de Maio de Junho de 2017, podendo precipitar eleições e devendo-se provavelmente a questões de dívida.

Argumento – mapa horário divulgado no jornal Aspas – Associação Portuguesa de Astrologia – de Dezembro de 2017

Crítica: a interpretação foi apenas parcialmente correta, no sentido em que houve uma crise nessa altura (tragédia de Pedrógão) mas mal identificada nas causas (não foi devido à situação financeira) e nas consequências (não precipitou eleições). Tal como na antevisão A, não foi corretamente identificado o foco da tensão: os fogos, apesar de ter sido um prejuízo de recursos (floresta, casas e vidas) não facilmente quantificáveis.

Antevisão D: Indicação de Benfica poder ter um bom desempenho na Liga dos Campeões podendo chegar à final e ganhar

Argumento – mapa horário divulgado em blog

Crítica: a interpretação foi parcialmente correta, no aspeto em que o Benfica fez uma boa campanha, por ter feito bons jogos e ter passado a fase de grupos (contudo, ficou-se pelos oitavos de final).

 

Principais Acertos:

Antevisão A: Indicação de bom desempenho da economia mundial, com desenvolvimentos tecnológicos

Argumento: sextil de Júpiter e Saturno, que correspondem normalmente a fases boas da economia mundial.

Factos: este foi o melhor ano dos últimos 10 anos.

Antevisão B: Ano de mais manifestações mundiais e protestos, em especial de jovens, pela democracia

Argumento: poder ser ano de Vénus e sendo um dos seus traços (nos anos anteriores, múltiplos de 7)

Factos: Houve manifestações importantes sendo a Marcha das Mulheres – a maior de sempre nos EUA – para além de marchas contra Trump por causa das leis de imigração e posição sobre as alterações climáticas; em Inglaterra, marchas contra o Brexit; e pela Europa, a marcha pela Europa; em Espanha, manifestações várias de grande dimensão a favor e contra a independência da Catalunha; e no Irão (no final do ano civil) as maiores manifestações desde 2009 e feitas maioritariamente por jovens.

Antevisão C: Tendência de competição entre países e afirmação de soberanias, mas com oportunidades de equilíbrio e mediação

Argumento: Fogo dominante nos trânsitos de 2017, mas Júpiter em Balança

Factos: houve uma animosidade significativa (entre Trump e a Coreia do Norte, por exemplo) para além de uma atitude mais competitiva dos EUA para com os outros países, mas sem que isso se manifestasse ainda em guerra. A eleição de Macron veio criar um contraponto de equilíbrio e diplomacia na dinâmica entre Europa, EUA e resto do mundo.

Antevisão D: Indicação de possibilidade de paz na Síria e anulação maior ou fim do Daesh

Argumento: poder ser ano de Vénus, e atendendo ao que se passou a cada ciclo de 7 anos anteriores.

Factos: No Iraque e Síria, o Daesh foi derrotado e reestabeleceu-se uma certa paz, ainda que com focos terroristas pontuais.

https://alshahidwitness.com/wp-content/uploads/2017/07/Iraqis-are-celebrating-the-liberation-of-Mosul-after-three-years-of-ISIS-rule.jpg

Antevisão E: Mais expressão de movimentos independentistas, como o da Catalunha (webinário)

Argumento: tendência comum em anos de Vénus (ou nos anos múltiplos de 7, do ano que passou)

Factos: Catalunha declarou independência e gerou um impasse político preocupante em Espanha.

Antevisão F: Fim de regimes (absolutistas) de longa data

Argumento: tendência comum em anos de Vénus

Factos: parcialmente confirmado pelo fim do regime de José Eduardo dos Santos – algo que já era esperado/ conhecido. Mas não era esperado o saneamento dos seus afiliados bem como o fim do governo de Mugabe.

Antevisão G: Continuação de escândalos financeiros, que pudessem passar impunes.

Árgumento: continuação do trânsito de Saturno em Sagitário

Factos: escândalo Paradise Papers, em que até a Rainha de Inglaterra esteve envolvida – sem que houvesse grandes consequências.

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Antevisão H: Destaque maior das mulheres, do mundo artista, dos jovens e também destaque dos protestos, em geral.

Argumento: tendência comum em anos de Vénus e, neste caso, de Vénus em Fogo (Elemento dominante do ano)

Factos: totalmente confirmado pelo movimento Me too, Marcha das Mulheres e denúncia de abusos sexuais em Hollywood que levou a demissões em série, nunca antes vistas; as mulheres denunciantes foram consideradas personalidade do ano para a revista Time; para além de diversos filmes produzidos por mulheres ou com atrizes mulheres com mais destaque – os três filmes com mais êxito de bilheteira foram protagonizados por mulheres, algo inédito desde 1958; em relação aos jovens, houve tendência de mais jovens na política (Macron, o presidente francês mais jovem de sempre; Sebastian Kurz, na Austrália –  mais jovem de sempre, com apenas 31 anos; na Nova Zelândia, Jacinda Ardern; e vitória de Inês Arrimadas na Catalunha).

Antevisão I: Continuação do prestígio de Portugal no mundo e das suas individualidades

Argumento: livros Oceano Ascendente e O Zodíaco de Portugal

Factos: confirmados pela vitória na Eurovisão, crescimento turismo (com mais volume e mais prémios), eleição Centeno no Eurogrupo e 5ª Bola de Ouro para Ronaldo.

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Antevisão J: Bom ano para o Benfica, com maiores probabilidades de ser campeão

Argumento: mapa horário divulgado em blog

Facto: Benfica campeão e vencedor da Taça, em 2017

Antevisão K: Possibilidade de cura para a Sida

Argumento: poder ser ano de Vénus

Factos: parcialmente correta embora não a 100 %(cura funcional) – neste caso, um meio acerto – houve um desenvolvimento significativo (link – aqui)

Antevisão L: Continuação aquecimento global

Argumento: indicações da ciência e presença de Elemento Fogo

Factos: a temperatura continuou a aumentar, mais incêndios e secas – embora de todos este tenha sido o argumento menos surpreendente, atendendo às indicações da ciência que apontam no mesmo sentido.

 

RESUMO

Os principais desvios relacionaram-se com interpretações imprecisas de mapas horários e do mapa do ingresso do Sol em Áries, sendo que se confundiu a tensão associada aos problemas climáticos com questões financeiras ou políticas.

Não deixou de ser um ano muito desafiante para o governo e país – como uma “prova de fogo” que foi a tragédia dos incêndios – mas não pela via que esperava.

No restante, a abordagem foi eficaz e contrariou a maioria do mainstream astrológico que considerava ser um duplo ano de Saturno. Com efeito, à luz dos acontecimentos faz mais sentido considerá-lo candidato a ano de Vénus: pelo destaque dos protestos das mulheres, pelo crescimento da economia, pelo movimento catalão e pelo fim da guerra da Síria/ Iraque.

Em geral, as antevisões verificaram-se mais corretas do que incorretas, numa proporção global de 12 para 4 ou sendo mais exigentes (e retirando as últimas duas) de 10 para 4 que é ainda assim é mais do dobro de tendências verificadas em relação às não verificadas.

Reforço que não foi feita qualquer previsão – em sentido estrito – mas antevisões.

A surpresa, no meu entender, foi constatar a possibilidade de haver realmente um padrão cíclico de 7 anos que se repete em termos históricos, ainda que possa haver uma mudança de período global maior, a partir de 2017 (no sentido do ciclo solar primário dos profetas – ver nota final no artigo 2017).

E, nesse respeito, a análise histórica foi mais eficaz do que uma abordagem mais tradicional de interpretação de mapas específicos ou mesmo de trânsitos.

A consideração de poder ser ano de Vénus de Fogo encaixou com os acontecimentos (sendo esta abordagem relativamente inovadora no meio astrológico), devido à possibilidade de rotatividade planetária e de termos como Elemento dominante aquele por onde mais planetas transitam.

Este exercício ajuda também a perceber quais as melhores abordagens para se interpretar as perspetivas para 2018 e a reforçar a exigência técnica para certos tipos de afirmações.

João Medeiros

Lisboa, 22 de Dezembro de 2017


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